Mosteiro Budista Tibetano Sakya Tsarpa Thupten Dekyid Öedbar Ling

Ensinamentos da Tradição Sakya


S.E. Chogye Trichen Rinpoche (1920-2007)

Deixando que o Corpo, a Fala e a Mente Descansem

Nas instruções de Guru Yoga, somos ensinados a deixar nosso corpo, fala e mente descansarem naturalmente. O que isto significa? A base para a prática de meditação na tradição Vajrayana do mantra secreto são os três pontos chave do corpo, da fala e da mente. O ponto chave do corpo é colocar nosso corpo na postura física adequada. Junto com isto, o ponto chave para a fala é que os olhos devem assumir o olhar adequado. O ponto chave da mente é que a mente venha a descansar, relaxada mas atenta, no estado livre de pensamentos.

A prática é simplesmente permitir que as suas três portas — corpo, fala a mente — sejam deixadas como elas naturalmente são, em descanso no estado natural. Isto significa simplesmente deixar que seu corpo, fala e mente sejam, sem alterar ou modificar nada.

Em geral, nossas ações do corpo, da fala e da mente têm sido uma grande perda de tempo. Apesar de nossas ações infinitas desde um tempo sem início, desperdiçamos todas as nossas oportunidades até o momento presente. Como ainda somos seres sencientes comuns, nada de conseqüência real foi atingido através de nossas atividades mundanas.

Não há benefício que venha de se permitir que nosso corpo, fala e mente vaguem através do reino do desejo. Mas, se abandonarmos todas estas atividades sem sentido, então certamente podemos obter a realização e a alegria sublime, o grande êxtase. Através disto, todas as nossas aflições, como aquelas dos nossos elementos, constituintes físicos e emoções, podem ser levadas a um fim.

Para o nosso corpo, isto significa não apenas abandonar os movimentos corporais e se sentar parado na postura de meditação, mas abandonar todos os pensamentos quanto a atividades possíveis, como "Eu deveria fazer isto, não deveria fazer aquilo..." Nosso corpo é deixado livre de atividade.

Para a nossa fala, deixamos nossa respiração ser natural e também mantemos o olhar adequado, sem dizer nada. Isto inclui pensar sobre o que gostaríamos de dizer ou sobre o que não deveríamos dizer.

Para a nossa mente, deixamos a mente livre de qualquer atividade. Não há nada a se pensar, nada a aplicar nossa mente, além de descansar no intervalo entre os pensamentos passados e futuros.

Estamos abandonando todas as atividades do corpo, da fala e da mente. Ao invés de realizar quaisquer atividades, simplesmente nos sentamos na postura de meditação. Quando o corpo está ereto, nossos canais estão eretos e nossa mente se tornará estável. Deste modo, somos capazes de deixar nosso corpo descansar.

Nossa respiração é relaxada e natural, e mantemos o foco do nosso olhar. Praticar o olhar correto é muito poderoso para remover todos os tipos de desarmonias internas de nossos elementos, ventos e assim por diante. Se nossos olhos mudarem de foco freqüentemente e nosso olhar se mover, isto pode corromper a meditação. Os olhos estão focados à frente, no espaço ao longo da direção do olhar, diretamente para frente e levemente para cima. Esta é a prática par deixar a própria fala descansar.

Enquanto praticamos o olhar, nossa mente não deve ser focada muito distante no espaço, nem muito perto do corpo. Estes ensinamentos mencionam uma distância do tamanho de um arco, cerca de quatro a seis pés. Olhamos normalmente, sem forçar, sem qualquer tensão. Estamos simplesmente olhando ao longo da direção do nosso olhar, sem esforço.

Nossa mente descansa na vacuidade, no intervalo entre os pensamentos passados e futuros. Não há mais nada a fazer. O ponto chave da mente é não ter nada na mente.

Enquanto estamos mantendo a presença atenta sem esforço, não nos concentramos muito severamente, nem deixamos a mente muito frouxa de modo que afunde no torpor.

A mente é deixada sem ponto de referência, significando que a mente não é colocada em nenhum lugar e não é focalizada sobre nada. De fato, nossa mente não está fazendo esforços de nenhum tipo. Ao mesmo tempo, ela não é um vazio em branco. Estamos presentes, atentos e somos capazes de conhecer o que quer que aconteça.


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