Mosteiro Budista Tibetano Sakya Tsarpa Thupten Dekyid Öedbar Ling

Ensinamentos da Tradição Sakya


S.E. Chogye Trichen Rinpoche (1920-2007)

Visão: A Essência Única

O resultado ou fruição (dre-bu) final da Visão, dentro de todas as escolas do mantra secreto, é o mesmo — podemos chamá-lo de Indivisibilidade de Samsara e Nirvana (ta-wa khor-de yer-me), Mahamudra ou Dzogchen; eles são de uma única essência (ngo-wo chig). Se não fossem da mesma essência, teríamos de falar da realização Sakyapa, da realização Kagyüpa e assim por diante. Então, se recebêssemos uma iniciação Sakya, não obteríamos o resultado Kagyü. Mas realmente não é assim.

Os nomes das Visões são diferentes, mas o significado por trás delas não é diferente. Isto porque o resultado final de todos os veículos do mantra secreto é realizar a natureza da própria mente. Alguém que realiza isto pode expressá-la de diferentes modos, como Mahamudra ou Dzogchen, e assim por diante.

A única diferença real é que as diferentes escolas têm diferentes métodos — diferentes métodos de introduzir a natureza da mente, diferentes métodos de praticar o caminho e assim por diante. Uma vez que você conheça o real significado da Visão (ta-wa), os métodos são o mesmo em essência.

Por esta razão, eu posso ensinar de acordo com a tradição Nyingma, de acordo com a tradição Sakya ou por qualquer um dos outros modos de explicação. A partir da experiência do mestre na prática, ele descobriu que, uma vez que o significado real seja conhecido, estes ensinamentos não são realmente muito diferentes.

Sinto que as palavras de Sakya Pandita são verdadeiramente maravilhosas quando ele diz, "Meu Mahamudra é a experiência da descida da sabedoria primordial na hora da iniciação". Sakya Pandita quer dizer que o Mahamudra não é uma doutrina ou dogma pertencente ao Sakya, Kagyü ou Gelug. Mahamudra refere-se àquele que reconhece a verdadeira natureza da mente. Este Mahamudra é introduzido através do poder da linhagem da realização experiencial, através do poder da linhagem da bênção última.

Quando falamos da Inseparabilidade de Samsara e Nirvana, ou da consciência nua (rig-pa jen-pa), ou se nos referimos ao Mahamudra (chag-gya chen-po) ou a reconhecer a consciência (rig-pa ngo she-pa), o significado é o mesmo para todos eles; são todos de uma única essência (ngo-wo chig).

Algumas tradições podem introduzi-la mais geralmente, com poucas palavras; algumas podem introduzi-la de modo muito nu, com muitas explicações; mas sua intenção é a mesma. Todos estes ensinamentos estão falando do mesmo ponto, de reconhecer a verdadeira natureza da mente. As palavras são diferentes, mas se você realmente conhecer o significado, ele é o mesmo.

Por exemplo, às vezes Dampa Rinpoche meditava sobre a Visão da Inseparabilidade de Samsara e Nirvana, às vezes ele meditava de acordo com a Visão do Dzogchen. Para ele, o resultado destes era a mesma realização da Visão.

As introduções à natureza da mente (ngo-tro) e à sustentação da Visão (ta-wa kyong-wa), que recebi de Khyentse Chökyi Lodrö de acordo com os ensinamentos do Dzogchen, eram as mesmas em essência com as instruções que recebi de Dampa Rinpoche quando ele explicava estes ensinamentos de acordo com a tradição Sakya. Não havia diferença real entre elas.

Diferentes tradições podem enfatizar diferentes estágios de meditação. Algumas colocam mais ênfase sobre os primeiros estágios, outras sobre os últimos estágios da prática de meditação, de acordo com as necessidades dos seres. Os métodos de introdução e de explicação podem diferir de alguns modos, mas uma vez que você os entenda, todos eles introduzem a mesma natureza búddhica fundamental (zhi de-sheg nying-po).

Nas escolas filosóficas do budismo, as Visões das diferentes tradições são debatidas. Os estudantes de filosofia tentam distinguir sua Visão daquelas das outras escolas. Mas não é assim na linhagem da prática (drub-gyu). Todas as escolas da linhagem da prática chegam na mesma essência e a expressam de modos muito similares.

Sakya Pandita disse que ele tinha um modo especial de entender a base (zhi), o caminho (lam) e a fruição ou resultado (dre-bu). Na tradição Sakya de explicação da Visão, é dito que a base, o caminho e o resultado são inseparáveis (yer-me), significando que eles compartilham da mesma essência.

Porém, estas palavras especiais de Sakya Pandita não são baseadas no entendimento teórico ou em tratados escritos. Elas só podem ser entendidas através da nossa própria experiência da prática de meditação. Isto porque a base, o caminho e o resultado (zhi lam dre sum) são o mesmo apenas para aquele que reconheceu a vacuidade, a verdadeira natureza da mente (sem-nyid).


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