Mosteiro Budista Tibetano Sakya Tsarpa Thupten Dekyid Öedbar Ling

Ensinamentos da Tradição Sakya


S.S. Sakya Trizin Ngawang Künga

Seguindo o Caminho, Lendo os Sinais

O Senhor Buddha deu muitos ensinamentos para o benefício de todos os seres sencientes. Uma vez que os seres sencientes têm diferentes mentalidades, propensões e prejuízos, eles necessitam de diferentes tipos de ensinamentos, da mesma forma que diferentes medicamentos são necessários para tratar doenças distintas. Assim, no budismo tibetano temos quatro escolas principais, sendo todas uma manifestação da atividade do Buddha.

Todo ser senciente possui a Natureza do Buddha e é por esta razão que todos (trabalhando diligentemente) podem se tornar um Buddha. No momento não podemos reconhecer nossa Natureza do Buddha porque esta está plena de obstáculos e ilusões. Estes obstáculos e ilusões não estão na natureza da mente, estão fora dela e são temporários. Conseqüentemente, usando o método correto podemos eliminá-los e assim nos tornar iluminados.

Em nossa vida humana temos muitas exigências: um lugar para viver, alimentos para comer, roupas para vestir, cuidados médicos. Contudo, a coisa mais importante em nossas vidas é nossa prática do Dharma, porque qualquer poder mundano que possamos ter somente é benéfico até que morramos. A vida mais longa dura por uns 100 anos quanto muito e em seguida perdemos tudo, incluindo o nosso corpo precioso: o corpo com o qual nos importamos tanto, que tivemos conosco desde o nosso primeiro dia na terra. Muitas pessoas pensam que após a morte não há nada. Entretanto, estas pessoas não têm a lógica a seu lado. Negam a existência de qualquer coisa após a morte porque não as podem presentemente ver. Certamente há muitas razões lógicas para se acreditar no renascimento. A mente não é uma coisa que pode desaparecer, ser queimada, jogada fora, ou despedaçada. A mente é algo que você não pode segurar. Você não pode destruí-la. Assim, quando deixarmos este corpo ela não será queimada, enterrada, jogada no oceano ou comida por animais. Embora o corpo um dia possa ser destruído, a consciência, a mente, não sendo uma substância, não desaparecerá. A mente tem que continuar, portanto, existe uma vida após a morte e no momento da morte a única coisa que te ajuda é a prática do Dharma que você fez previamente.

Mesmo nesta vida há uma enorme diferença entre as pessoas que praticam o Dharma e aquelas que não praticam. As pessoas que não acreditam em qualquer coisa além deste mundo físico parecem ser felizes, mas quando enfrentam a tragédia não podem lidar com ela. Entretanto, as pessoas espiritualizadas quando abaladas pela tragédia e pelo sofrimento, lembrarão dos ensinamentos básicos que são conhecidos como os "quatro selos". Em primeiro lugar, que todos os agregados – qualquer coisa que é criada por meio de uma causa e condições — são impermanentes. Assim, a pessoa poderosa tornar-se-á fraca, as saudáveis um dia se tornarão doentes, e os ricos um dia se tornarão pobres. Tudo é impermanente. Então, quando os budistas entram em contato com tais situações eles as reconhecem como um sinal da impermanência, e isto é fé.

Em segundo lugar, o Buddha disse que tudo que leva a prejuízos é sofrimento, portanto, quando os budistas enfrentam a tragédia eles sabem que a natureza do samsara é sofrimento da mesma forma que a natureza do fogo é quente seja um fogo pequeno ou um fogo grande. Os diferentes reinos: o reino do inferno; o reino dos fantasmas famintos; o reino animal; o reino humano; o reino asura, todos têm diferentes tipos de sofrimento. Alguns naturalmente têm um sofrimento mais visível e alguns têm um sofrimento sutil — mas tudo é sofrimento. Podemos aprender isto através das escrituras e podemos também experimentar isto muito claramente em nossa própria vida humana. Não importa onde você está — se você está em um país desenvolvido ou subdesenvolvido, não há uma satisfação real, nenhuma felicidade real. Há sempre algum tipo do problema e existe sempre sofrimento.

Especialmente quando enfrentando a tragédia, a pessoa que tem prática espiritual compreenderá que o sofrimento é inevitável e assim estará pronta para enfrentar tal situação. Esta prontidão diminui o peso sobre a mente e quando este diminui então é claro que o sofrimento físico é naturalmente menor porque no corpo e mente, a mente é como o chefe e o corpo é como o empregado. Assim, quando a mente é feliz, mesmo quando você está no país mais pobre, ou em condições muito pobres, você é feliz. Entretanto, se sua mente não é feliz, mesmo se você está nos reinos dos céus, você não é feliz.

A terceira coisa que o Buddha disse é que todos os fenômenos são desprovidos de identidade. Em outras palavras, embora todos se agarram a um eu, realmente não há nenhum eu lá. Dizemos sempre "meu corpo", "minha mente", mas onde está a mente? Tem que estar no corpo ou na mente, ou entre eles, ou em algum lugar externo, mas você não pode encontrá-la. Assim, em todos os seres não há nenhum eu pessoal. Similarmente com fenômenos externos como mesa e flores. Se você dividir estas em partes, você não pode encontrar qualquer parte que é inerentemente a própria coisa. Logo, todos os fenômenos são desprovidos de identidade.

Em quarto lugar o Buddha disse que o nirvana é paz. O Nirvana é onde todo o sofrimento é esgotado completamente. A característica especial de um Budista é que ele concorda com esses quatro ensinamentos básicos:

  • 1. Tudo é impermanente.

  • 2. Tudo é sofrimento.

  • 3. Tudo é desprovido de identidade.

  • 4. O nirvana é paz.

Além disso, naturalmente para ser budista devemos tomar refúgio no Buddha, no Dharma, e na Sanga. Isto é assim porque para cruzar o oceano de sofrimento e chegar ao nirvana, ou o estado iluminado, você necessita tomar refúgio da mesma forma que, se você for a um país desconhecido, necessita um guia para te mostrar o trajeto, você precisa do caminho, e para fazer uma viagem longa e difícil você requer companheiros. Similarmente ao viajar pelo caminho budista o guia é o Buddha e o Dharma é o trajeto que você necessita seguir para alcançar o destino. Porém você não pode apenas ter alguém para te dizer como chegar lá, você realmente tem que viajar para lá por si mesmo. Por isso é que se diz nos ensinamentos do Buddha que você é seu próprio salvador, uma vez que você tem que praticar o Dharma por si mesmo para atingir o objetivo. A Sanga são os companheiros que estão viajando ao longo do mesmo caminho para o mesmo destino e que podem ajudá-lo atingir o objetivo.

Não basta apenas conhecer o Dharma intelectualmente visto que conhecê-lo e experienciá-lo são duas coisas diferentes. De modo à experienciar o Dharma de dentro você tem que estudar e pensar sobre ele a todo instante. Muitas pessoas dizem que é difícil praticar o Dharma na sociedade moderna porque a vida é muito ocupada e existem assim muitos distúrbios. Entretanto, o Dharma não significa apenas recitar mantras e meditar sozinho. O sentido mais importante da palavra Dharma é mudar nossa mente mundana atual em uma mente espiritual. Você pode fazer isso quando está viajando, quando está trabalhando e falando com seus amigos. Uma vez que você ganhe um pouco de experiência do Dharma então tudo que faça torna-se realmente um ensinamento. Por exemplo, quando você está viajando você vê muitas pessoas, vê as coisas mudando, vê sofrimento. Isto já é uma experiência do Dharma porque quando as coisas estão mudando isto é o ensinamento da impermanência. Quando você vê o sofrimento você entende que todo o samsara é sofrimento. Desta maneira o Dharma é realmente algo para ser praticado pela mente onde quer que você vá, ou no que quer que você faça. Tudo pode virar a prática do Dharma. Por exemplo, uma regra associada com o refúgio é aquela que onde quer que você vá, você deve pensar no Buddha dessa direção particular. Isto significa então que onde quer que você vá você deve pensar no Buddha. Além disso, quando você ver pessoas sofrendo você pode praticar a compaixão. Se você se encontrar pessoas que te deixam zangado ou que te perturbam, então você tem a possibilidade de praticar a paciência. Assim, mesmo o homem mais ocupado, na cidade mais ocupada, pode tornar cada dia, cada momento, na prática do Dharma.

Por exemplo, na Índia e no Tibet antigo todos os reis do Dharma tinham afazeres domésticos e empreendiam muitas atividades mundanas, mas ao mesmo tempo eram todos grandes praticantes do Dharma. No entanto, se sua mente não mudar, mesmo se você permanecer em um lugar muito recluso, você não pode tornar-se um bom praticante do Dharma. A principal coisa para ser lembrada é que tudo é mente. Ter uma mente bondosa é a raiz de todo o Dharma, particularmente no caminho Mahayana. Após tomar refúgio no Dharma você não deve maltratar nenhum ser senciente intencionalmente. No Mahayana você não deve somente evitar fazer mal aos seres, mas você deve tentar beneficiar os seres sencientes e isto vem de uma mente boa. Então uma mente bondosa, um coração bondoso, é a raiz do caminho Mahayana. Todo ser senciente, do ser humano mais inteligente até os insetos minúsculos, tem o desejo de estar livre do sofrimento e ter a felicidade. Conseqüentemente, apenas pensar em si mesmo é errado porque somos apenas uma pessoa e os outros seres sencientes são muitos. Assim, quando há um e muitos, muitos são mais importantes. Se você se considerar apenas a si mesmo, você não obterá a felicidade porque quando você é egoísta há sempre ciúme e competitividade. Surgem todos os tipos de pensamentos impuros que trazem sofrimento nesta vida e nas vidas futuras. Por outro lado, as pessoas que não se importam com elas mesmas, mas somente com os outros, experimentam a felicidade. Através da história mesmo em um nível mundano, grandes e boas pessoas obtiveram sua boa reputação importando-se com os outros.

Do mesmo modo, se você deseja ter felicidade você deve fazer as outras pessoas felizes e assim a raiz de todo ensinamento Mahayana é a bondade amorosa e a compaixão. Quando você tem estas duas, você tem a semente a partir da qual a iluminação crescerá. Todavia, ter apenas compaixão e bondade amorosa não é bastante para tornar-se iluminado. Devemos realmente gerar a aspiração de nos tornarmos um Buddha a fim de resgatar os seres sencientes do sofrimento. Contudo, no momento nós mesmos não estamos livres, estamos emaranhados nos problemas e ilusões. Com tal mente não podemos ajudar as pessoas. Devemos, portanto, nos tornar iluminados porque mesmo um único momento de iluminação pode aliviar os seres sencientes.

Naturalmente para tornar-se iluminado você precisa entrar no caminho do Dharma. Embora o caminho do Dharma inclua muitos ensinamentos diferentes, podemos dividir estes ensinamentos em Hinayana e Mahayana. O Mahayana é para aqueles que seguem o objetivo maior e o Hinayana para aqueles que seguem objetivo menor. Dentro do Mahayana temos também o Mahayana orientado para as causas e o Mantrayana orientado para os resultados. O Mantrayana é o mais elevado de ensinamentos do Buddha. Para entrar nele precisamos receber iniciações. Existem diferentes tipos de iniciações para as várias deidades descritas nos tantras. Em termos gerais existem dois tipos de deidades. Deidades como Hevajra e Chakrasamvara nos permitem alcançar excelentes siddhis (bênçãos) o que significa a iluminação final. Deidades menores fornecem siddhis comuns tais como purificar a negatividade, purificar os obstáculos e aumentar o tempo de vida, sabedoria e mérito crescentes e também finalmente fornecer excelentes siddhis.

A finalidade principal de praticar a meditação nas deidades através da qual podemos alcançar excelentes siddhis é nos tornarmos iluminados. Com as deidades através da qual podemos alcançar siddhis comuns o propósito é superar obstáculos e desafios difíceis.

O siddhi comum mais importante é o prolongamento da nossa vida, porque se não tivermos uma vida longa então não podemos realizar nossa prática. Conseqüentemente, é muito importante praticar as deidades de longa vida. Existem métodos externos, internos e secretos para conseguir uma vida longa. O método externo é fazer atividades boas, salvar os seres que estão para ser mortos. As práticas internas são tomar os medicamentos e assim por diante e os métodos secretos são a meditação nas deidades de longa vida. A deidade de longa vida mais conhecida é o Buddha Amitayus.


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